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O filme é perfeito! Não tem muito o que dizer - bons atores, boa história, bons efeitos especiais, boa trilha sonora (boa? Excelente…). Vale mais a pena descrever a pré-estréia: cinema lotado e o mais impressionante, público bem comportado, nenhum babaca gritando, levantando toda hora, ninguém fazendo barulho. Todo mundo parecia estar muito interessado em ver o filme, assistindo quieto. E parece que todo mundo gostou muito, com direito até a salva de palmas no final. Um Marvel sem Star Comics… Sem a menor sombra de dúvida, foi o melhor filme derivado de quadrinhos até agora. Que venha o Watchmen!

PS: Passou o trailler do Hulk. Mudou o ator, colocaram o Edward Norton… É bom ator, mas preferia o anterior. O monstro está muito mais orgânico, com uma cara sinistra.

Um dia fui no museu e na ala egípcia tinha um guia explicando para um monte de crianças que os egípcios eram uma parte da família de noé que foi morar no Egito

Depois eu vi a mesma criatura passando rápido e em silêncio pela ala dos dinossauros…

Comentando o ocorrido com um amigo, ele me disse que os criacionistas alegam que os dinossauros não cabiam na arca de noé e por isso morreram

E eu perguntei: “E OS DINOSSAUROS MARINHOS???”

Criacionismo é o termo usado para designar uma série de idéias que defendem o envolvimento de uma ou mais entidades inteligentes na criação do universo e na origem da vida e das espécies (incluindo o próprio ser humano)

Os criacionistas se opõem a Teoria da Evolução. A evolução é o processo de mudança que a vida tem sofrido de seus primórdios. Em tal processo, características que tornem os seres mais aptos a sobreviver passam para as gerações seguintes, enquanto outras características que não tragam benefícios vão sendo reduzidas, através do processo chamado de seleção natural.

Quando o autor da teoria, Charles Darwin, lançou “A Origem das Espécies” (depois de 20 anos de preparação), a Evolução encontrou muitos detratores (inclusive a propria esposa dele)

Motivação

Entender a motivação das pessoas que defendem o criacionismo não é simples. As teorias mais comuns que percebi foram:

  • Simplicidade: não conseguir aceitar a teoria da evolução e prefere se refugiar no obscurantismo.
  • Auto-ilusão: torcer a realidade para encaixar em seus interesses (quaisquer que sejam) e acreditar nisso ignorando quaquer prova contrária.
  • Defesa do sistema de crenças: a criação é a base do sistema de crenças dessas pessoas. Partindo do pressuposto que é possível contestar a criação, é portanto possível questionar todo o resto.

Embora seja possível que todas as teorias estejam certas, elegi a terceira teoria como a mais feliz em determinar o principal aspecto do problema, pois ela é mais plausível diante de alguns fatos:

  • Existem pessoas inteligentes (e até alguns cientistas) que defendem o criacionismo. O que vai de encontro com a primeira teoria.
  • Há um esforço organizado e consciente para justificar o criacionismo através de pseudo-ciência, chamado “projeto inteligente”.

O projeto inteligente (intelligent design) é uma teoria que defende que certas estruturas e aspectos do mundo físico e dos seres vivos (como o olho humano, por exemplo) são resultado de uma atividade inteligente e não da natureza. A teoria não determina que entidade inteligente é a responsável pelo projeto.

Conclusões

Sempre me causa surpresa ver pessoas que estudaram ciências naturais (nem que seja um pouco) e que vivem em mundo tecnológico defenderem com unhas e dentes conceitos anacrônicos de religiões antigas que surgiram no oriente médio (um lugar que não é reconhecido no mundo por cultivar a liberdade de expressão)

Gostaria de deixar uma idéia para encerrar o artigo: de todos os “ismos”, mantenham apenas um deles na mente: o pragmatismo.

Referências:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Evolu%C3%A7%C3%A3o

http://pt.wikipedia.org/wiki/Abiog%C3%AAnese

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pseudoci%C3%AAncia

http://pt.wikipedia.org/wiki/Criacionismo

http://pt.wikipedia.org/wiki/Design_inteligente

http://pt.wikipedia.org/wiki/Estrat%C3%A9gia_da_cunha

O Fruto miraculoso é uma fruta com capacidade de modificar o paladar de quem a experimenta. Depois de prová-la, as coisas com sabor azedo são percebidas como doce, durante mais ou menos uma hora. Limão fica parecendo um doce, cerveja parecida com milkshake e o queijo parece estar coberto de açucar.

Isso pode parecer estranho o bastante, mas o que mais me espantou foi que a fruta foi documentada pela primeira vez em 1725. Teve sua proteína ativa isolada em 1968, a “miraculina” e é pesquisada até hoje por fabricante de adoçantes.

Agora a planta está “voltando a moda”, mas eu ainda estou impressionado, como algo com um efeito tão exótico cair assim na obscuridade. Aprofundando mais sob o tema, na Wikipedia descobri que existem outras substâncias capazes de alterar o paladar, mas nada tão exótico. Mais profundo talvez, uma delas pode inibir a percepção do doce por semanas. Essa eu acho que seria uma boa para ajudar nas dietas…

http://fruta-milagrosa.boonic.com.br/

http://en.wikipedia.org/wiki/Miraculin

http://online.wsj.com/article_email/SB117522147769754148-lMyQjAxMDE3NzM1MDIzMjAxWj.html

http://www.gimundo.com/Articles/Daily/697

Filme: The Happening

Vi o Trailer do novo filme do M. Night Shyamalan. O filme mostra a New York em um dia normal, quando do nada, um muitas pessoas no meio da multidão começam a se suicidar de maneiras diversas. A cidade acaba tendo que ser isolada.

No site do filme, vi outro trailer, diferente do que vi no cinema hoje. O trailer no site não chega nem perto do exibido no cinema… Mas lá vi que o ator principal é o Mark Whalberg, que protagoniza a série Dexter.

Depois de “I am Legend” e “Cloverfield” fica a dúvida, por que New York tem sido tão atacada nos últimos filmes?

http://www.thehappeningmovie.com/

Anime: Mnemosyne

Imortalidade, canibalismo, conspiração, erotismo, tortura, investigação, sado-masoquismo, anjos, lesbianismo, assassinatos, dominação, clonagem, ficção científica, sobrenatural, … e ainda com um nível de produção excelente. Isso tudo é Mnemosyne.

Mnemosyne é o nome grego para a mãe das musas e titã da memória. Já Mnemosyne, o anime, conta uma lenda muito estranha: uma árvore mitológica & invisível, da qual quem ingerir seus esporos, se torna imortal se for mulher ou vira um anjo poderoso se for homem.

Mas o preço de ter o poder de um anjo é muito alto: o anjo só vive durante duas ou três semanas, enquanto perde a humanidade e o controle sobre si mesmo e passa a ter como objetivo devorar (em todos os sentidos) as mulheres imortais.

Para complicar um pouco mais, os dois seres se sentem fortemente atraídos quando se aproximam (para a infelicidade as mulheres imortais). Ao contrário do que pode parecer, não é hentai.

Mnemosyne se concentra em duas imortais, que são amantes e tem uma agencia de investigações e tentam sobreviver aos ataques dos anjos e de uma corporação das trevas que aparentemente quer obter o segredo da imortalidade.

Vamos Matar o Mamute?

Dois caçadores, Grub e Grok, quase morrendo de fome em plena era do gelo, tentavam desesperadamente matar um mamute. Grok finalmente avistou um e chamou o amigo - “Grub, vamos matar o mamute!”

Causando estranhamento no Grok, Grub simplesmente não se moveu. “Grub, qual o seu problema?”, perguntou Grok. “Temos que definir antes uma coisa.”, respondeu Grub. “Definir!? Vamos matar o mamute!”, falou Grok, já meio desesperado…

“Tá. Mas a quem pertence o mamute?”, falou Grub. Grok, com medo de perder o mamute, prefiriu responder logo de uma vez - “Grub, o conceito de propriedade privada ainda não foi criado, portanto o mamute não possui dono, so podendo portanto ser considerado um bem público.”

“Era isso que eu estava dizendo, antes de matar o mamute temos que definir a quem ele pertence… Senão você pode ter problemas.” afirmou Grub, com um ar triunfante. “Mas ele não pode pertencer a ninguém, ele só pode ser um bem público!”, falou Grok. “Sim, mas quando formarmos uma civilização e estabelecermos o conceito de propriedade privada, talvez uns 10.000 anos no futuro, isso pode vir a ser muito importante!”, falou Grub, com um sorriso de empolgação e um tom de didatismo cada vez mais forte.

“Ok Grub, mas os descendentes de pelo menos um de nós dois vai formar uma civilização daqui a 10.000 anos, é bom não morrermos os dois de fome… Vamos matar o mamute!”, gritou Grok tentando recuperar o entusiasmo.

“Mas tem outra coisa”, respondeu Grub. “Outra coisa? Assim não é possível!” reclamou Grok. “Exatamente, não é possível… Como vamos matar o mamute? Teriamos definir uma classe de um caçador especializado em matar mamute e criar um caçador para fazer isso.”, afirmou Grub, coçando a cabeça, o que deixou Grok com a suspeita que nem o próprio Grub havia entendido o que acabara de dizer. “Não temos uma classe de caçador especializado em mamute! Somos caçadores não especializados!!! Não vamos criar um caçador, temos que matar o mamute nós mesmos, e só! Não tem outro jeito!”, gritou Grok, perdendo a paciência.

“Eu sei, eu sei”, respondeu Grub com ar condescendente. “Mas daqui a 10.000 anos, quando tivermos uma civilização, teremos caçadores especializados…”. “Vamos matar o mamute!” gritou novamente Grok, interrompendo o Grub.

“Só mais uma coisa: O que devemos esperar de retorno dessa ação de matar o mamute?”, falou Grub, enquanto o mamute saia de vez da área de alcance das lanças dele e de Grok. Enlouquecido, Grok não falou mais nada e canibalizou o Grub.

O que é um Pedófilo?

Um tumor cerebral causou em um homem de 40 anos uma repentina e incontrolável pedofilia. O tumor foi removido e a obsessão sexual cessou. Sete meses depois, após ter conseguido completar com sucesso um programa de recuperação, a obsessão voltou. Um exame de ressonância magnética mostrou que o tumor havia voltado. Novamente extraído o tumor, novamente acaba o comportamento.

Esse tipo de descoberta causa uma revolução nos conceitos de moral e arbítrio. O que é uma abominação pode passar a ser encarado como doença, nos casos onde a causa for comprovada.

http://www.newscientist.com/article.ns?id=dn2943&print=true

O App Engine do Google é muito fácil de usar. Seguindo apenas parte da documentação, no Getting Started da introdução, é possível criar uma aplicação com persistência de dados, formulários e templates, tudo muito parecido quando não igual ao fornecido pelo Django.

Eu criei duas aplicações em minha conta. Uma para o grupo local de usuários da linguagem Python do Rio de Janeiro, o PythOnRio (http://pythonrio.appspot.com/). Ela ainda é apenas um teste, aplicação direta do tutorial. Apenas mostra um Hello para o quem entra nela, mas faz uso da autenticação pela base de usuários do Gmail.

A outra aplicação ainda não está no ar. Tem por objetivo ser um caso prático para auxiliar o estudo de aprendizagem de máquina que estou fazendo, inicialmente baseado no livro Programming Collective Intelligence de Toby Segaran, mas com a intenção de não ficar restrito a ele. Nesse livro o leitor é estimulado a buscar casos onde a análise estatística possa ser aplicada. MInha idéia foi fazer uma análise política: na aplicação, você escolhe o nome de um congressista americano e a partir dos dados disponíveis na internet o programa indica os 10 congressistas com padrão de votação mais assemelhado e os 10 mais desassemelhados, de acordo com a correlação de Pearson. Uma ambição mais ousada do programa também é motivar no futuro a criação de uma versão nacional, se algum dia os dados estiverem disponíveis em algum formato utilizável. Lá o resultado das votações (quem votou o quê) é públicado em formato XML em uma hora após a sessão!

Como estou ainda me familiarizando a usar o App Engine, a intenção era realmente tentar colocar uma aplicação um pouco mais complexa no ar (mesmo que ainda não 100% ajustada) para experimentar a nova tecnologia. Os testes locais foram muito tranquilos, mas tive alguns problemas na hora de colocar a aplicação no ar. Primeiro, ele reclamou do tamanho de um arquivo de dados que minha aplicação usava. Para contornar o problema, tive que quebrar o arquivo em vários. Tudo testado direito, outro problema - ele reclamou de caracteres inválidos utilizados nos nomes dos arquivos. Mais uma alteração e finalmente consegui fazer o deploy da aplicação (i.e., colocar servidor para funcionar). Mas ainda não foi dessa vez. Apesar de funcionar no servidor local, ela é constantemente bloqueada por demandar CPU demais. Não que isso seja um problema, vou refazer o programa para produzir os dados localmente e armazenar em memória, permitindo a aplicação a rodar na internet.

Para muito poucas horas dedicadas, foi um aprenzidado muito legal. Desenvolver uma aplicação para O App Engine foi muito fácil e ele é todo bem razoável. Uma critítica que acho que posso fazer é que ele poderia ter soltado uns warnings no servidor local avisando dos problemas que eu iria encontrar ao tentar colocar no ar, mas isso não chegou a ser um problema tão grave.

Python e a Google

A Google contratou o Guido Van Rossum, criador da linguagem Python em 2005. Sabia-se que a empresa fazia um uso intenso da linguagem, mas uma contratação tão emblemática sugeria que eles planejavam algo grande, muito além de assuntos internos.

No entanto, demorou uns anos para surgir alguma coisa de relevância envolvendo o Python. Mas aconteceu, com seu Google App Engine eles estão fornecendo um servidor de aplicações Python poderoso de graça para milhares de desenvolvedores, mas o número deve crescer rapidamente, seguindo a trilha do Gmail.

Com uma API poderosa e a simplicidade do Python, muito ainda vai se ouvir falar dessa iniciativa, muitas aplicações interessantes irão surgir. Alguns recursos são muito interessantes, como por exemplo, a possibilidade de usar o cadastro de usuários do Gmail como autenticação para a aplicação. Pelo visto, o Guido trabalhou como formiga nos últimos anos.

Anime: Hellsing OVA

Hellsing é um mangá que descreve uma batalha secreta entre humanos, vampiros e outras criaturas sombrias. A trama é bastante complexa, envolvendo conspiração, religião, paranormalidade e alianças das mais inimagináveis. A maior arma que os humanos possuem é o Alucard, um vampiro superpoderoso (olhe bem o nome e adivinhe qual!), domado no passado pelo Van Hellsing e restrito por uma série de feitiços que fazem o monstro ficar “bonzinho”, mas limitam seu poder. Volta e meia alguma dessas restrições precisa ser liberada para que ele possa dar conta dos inimigos, ai…

O mangá foi transformado em anime e exibido na televisão, mas parou no meio do caminho. Em 2006 foi produzida uma nova versão, Hellsing Ultimate, em uma série de DVDs. Mais fiel ao mangá, eles pretendem lançar 10 episódios (já lançaram 4), incluindo uma prequela. A série tem uma qualidade fantástica e cenários impressionantes. No terceiro episódio, Alucard enfrenta nada mais nada menos que policiais corruptos no Rio de Janeiro!

http://en.wikipedia.org/wiki/Hellsing_Ultimate

Dividir grupos humanos em raças é um dos embustes mais poderosos já feitos até hoje. Por ser uma aplicação de uma técnica de controle muito eficiente (dividir para conquistar), foi largamente utilizada, sobrepondo até mesmo o conceito de nacionalidade, outra forma poderosa de segregação humana. Esta só começou a realmente se reforçar depois da Segunda Guerra Mundial. Com a globalização, a nacionalidade passou a ser a forma de segregação humana preferencial e o racismo uma inconveniência desnecessária, uma comportamento fora de moda.

Ainda assim, o racismo se mantém latente em quase todo o mundo, apoiado em condicionamentos culturais, sociais e econômicos. Por sua inconveniência ele é marginalizado, mas ele continua fazendo estrago, causando sofrimento aos discriminados ao ser usado por políticos de “nicho” como alavanca para chegar ao poder e sendo uma armadilha para todos. Para se ter uma idéia da dimensão do poder do embuste em enganar as mentes mais capazes, em outubro do ano passado, James D. Watson, prêmio Nobel, co-descobridor da estrutura do DNA terminou sua carreira após a má repercussão de uma lamentável entrevista recheada de comentários racistas.

A ciência, diga-se de passagem, não tem um passado limpo com relação a esse embuste. Milhares de estudos já foram feito “provando” a superioridade dos europeus em relação aos outros povos. Hoje em dia, depois da conclusão do Projeto Genoma e de todos avanços na área, a ciência descarta o conceito de raças. Mas a divulgação para o grande público é tão objetiva quanto a divulgação de estudos sobre o efeito de comidas em dietas, por exemplo. Uma hora somos praticamente idênticos ao chimpanzés (99.9%) e clones uns dos outros em relação as outras espécies. Agora, nosso parentesco com os chimpanzés caiu para (96%), bem perto, mas não tão impressionante se compararmos isso ao nosso parentesco com a abóbora (superior a 50%). Além disso, agora as diferenças (que praticamente não existiam) estão aumentando e os povos ficando cada vez mais diferentes, sendo nós mais distantes de Homero que ele dos neanderthais… Como o que define essas variações nas medidas é se levamos em conta ou não aquilo que acreditamos que esta realmente ativo em nosso DNA, dá para entender porque tanta distorção. Nossa variedade está realmente aumentando, mas será que isso é relevante? Que tal esperar uns 50.000 anos? Eu prefiro apostar na tecnologia…

O mais importante a se ter em mente quanto ao que a ciência atual realmente percebe as raças humanas é o seguinte: Nossas variações são mínimas e em qualquer população é possível encontrar indivíduos mais parecido em outra que nela mesma. Ou seja, me mostre um alemão e eu posso encontrar um africano ou japonês geneticamente mais parecido com ele que o vizinho dele. Geneticamente, raças não existem.

No entanto, socialmente existe a segregação e as chamadas ações afirmativas são necessárias para diminuir as distorções. E é nessa hora que estranhamente as reações mais estapafúrdias aparecem. Muitas vezes são reações viscerais, irracionais mesmo. Mas acabam sempre se apoiando em racionalizações baseadas em argumentos falaciosos: O racismo não existe aqui; Ele é apenas social; Não dá para determinar quem é negro ou branco no Brasil; essas ações irão criar o racismo e não acabar com ele. E por último o muito usado “A idéia é boa mas a implementação é ruim então é melhor não fazer nada”.

Vamos analisar cada uma dessas falacias:

1- O racismo não existe no Brasil.

Não é o que diz o IBGE:

“Dados do IBGE demonstram que 36,4% dos negros tem quatro a sete anos de estudo, contra 28,1% dos brancos, enquanto 42,9% dos brancos tem mais de 11 anos de estudo, contra 24,9% dos negros. A consequência é que mais de 40% dos brancos ganham acima de três mínimos e só 17% dos negros atingem
esse patamar. Quase 64% dos negros ganham menos de dois salários mínimos.” (4)

Na verdade, quando discriminações diferentes se somam (mulheres negras), os resultados são ainda mais graves a ponto de gerar dúvidas se apenas as ações envolvendo recursos educacionais serão suficientes:

“A pesquisa mostra que a taxa de desemprego entre as mulheres negras passou de 10% em 1992 para 15,8%, em 2005, com crescimento 58%. Entre os homens negros, o desemprego subiu de 6,3% para 8,5% no mesmo período, o que representou um aumento de 33,9%.

No mesmo período as taxas de desemprego para mulheres brancas cresceram 38,8%, (de 8,2% para 11,4%) e para os homens brancos, 25,8%.(de 5,2% para 6,5%).” (5)
2 - O preconceito no Brasil é apenas social. Essas ações afirmativas deveriam apenas ser ações sociais.
Rico de raça alguma sofre segregaçao, rico não tem cor… Bom, não é bem assim. Esse tipo de comentário me faz imediatamente lembrar de um amigo, que sempre é parado nas blitz da estrada. Quanto melhor o carro, mais parado ele é.
Mas para citar um caso mais público - bastou o Ronaldo dizer “Eu que sou branco sofro com tamanha ignorância” que virou manchete nos jornais. fiquei espantado com o número de links que encontrei a respeito, mesmo depois de tanto tempo. Eu gostaria de poder dizer que a cor do Ronaldo não importa; e realmente não deveria. Mas tanta repercussão com única frase é muito diferente de nada.
3 - Não dá para determinar quem é negro, pardo ou branco no Brasil.
Bom, acho que acabei demonstrando que isso não é verdade no item anterior. Mas esse é um ponto importante. O desejável é que prevaleça o critério da auto-afirmação. Existem inúmeras vantagens por esse critério: ele promove a auto-regulação - quem mentir, por exemplo, em uma faculdade vai ter que arcar com o peso da mentira na convivência dos outros alunos; ele não prioriza um único fator de discriminação (ex. cor de pele) sobre outros, como traços físicos, por exemplo; e principalmente, ele combate o próprio auto-preconceito, pessoas que antes preferiam tentar esconder sua história passam encarar isso como vantajoso.
Desejável, porém, não quer dizer essencial. A elite brasileira é acostumada a forçar a realidade, o famoso “jeitinho” e isso pode eventualmente tornar o critério de auto-afirmação inviável. Isso seria lamentável, mas inúmeras vezes situações muito semelhantes já ocorreram em nossa sociedade. Isso não é, no entanto, motivo para não se fazer nada. Veja a falácia 5.
4 - Essas ações irão criar o racismo e não acabar com ele.
Essa falácia é na verdade uma elaboração em cima da falácia 1. A partir dai, qualquer mudança pode ser apontada como “problema” e fica muito difícil contra-argumentar com a falácia. O melhor é expor a falácia - quem pensa assim, nos EUA encararia como “problema” todos os protestos ocorridos nos anos 60 e como ausência de racismo o estado anterior, com lugares marcados para os brancos no transporte público.
5 - A idéia é boa mas a implementação é ruim então é melhor não fazer nada.
Essa falácia impõe como pré-condição uma meta impossível (uma ação perfeita do Estado, instituição frequentemente definida como “mal-necessário”) para que se faça alguma coisa. E possui uma situação reversa, onde quem não é realmente contra as quotas se abstém de reclamar de implementações ruins das mesmas. Existem muitos erros e não questioná-los só favorece a tendência a não fazer nada. Os erros devem ser questionados, apenas com a responsabilidade de propor alternativas.
Outra inverdade inserida nesse argumento é que não existe implementação boa - as mais divulgadas são justamente as mais polêmicas e com mais problemas, normalmente envolvendo as universidades federais. Porém a maior iniciativa já realizada envolve as universidades privadas. Atende a critérios sociais e a distribuição populacional, já forneceu 112 mil bolsas e promete mais 400 mil para os próximos quatro anos. É a iniciativa mais importante nessa área, mas é pouco divulgada. Mas respondeu a um processo de inconstitucionalidade, movido pelo DEM e pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino. Coisa de quem acha que dá para equilibrar uma balança empurrando os dois braços para baixo.

1 - http://www.02138mag.com/magazine/article/1488-3.html

2 - http://news.nationalgeographic.com/news/2002/09/0924_020924_dnachimp.html

3 - http://www.pubmedcentral.nih.gov/articlerender.fcgi?artid=1893020

4 - http://www.observatoriosocial.org.br/conex2/?q=node/723

5 - http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2006/11/17/materia.2006-11-17.6751416164/view

6 - http://prouni-inscricao.mec.gov.br/prouni/Oprograma.shtm

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