Europa, a terra do Open Source

Depois de quinze anos acompanhando o crescimento do software de código aberto no mundo é interessante ver que certos lugares do mundo são muito mais receptivos que outros.

Paralelos

Embora a Internet seja uma grande força para equilibrar a balança da distribuição de conhecimento no mundo (e nisso se inclui software também), a trajetória do Free / Open Source Software me lembra a história do rock (ou também a do punk): a América pode ter lançado a ideia, mas só ganhou valor realmente quando passou para o outro lado do Atlântico, tanto que é praticamente impossível comparar Elvis ou Little Richards com Beatles ou Led Zeppelin, ou MC5 com Clash…

A terra das (in)oportunidades

No processo indústrial, em que cada um tem seu papel delimitado como uma engrenagem e que nada pode ocorrer de forma diferente, a criatividade morre silenciosamente. Resta então apenas copiar os outros e não correr riscos. Mas e se o produto for de natureza intelectual?

No caso do Open Source, mais uma vítima da cultura industrial americana, o processo é bem fácil de acompanhar:

  • Um grupo de “alternativos” tem a ideia;
  • As corporações zombam ou ignoram a ideia;
  • A ideia cresce em público;
  • As corporações se apropriam, corrompem e banalizam a ideia, adaptando para seus “padrões de qualidade”;
  • A ideia perde força e credibilidade, relegando o grupo original a um nicho.

Um caso recente foi a aquisição da Sun pela Oracle, que está liquidando aos poucos o portifólio de software livre da empresa que foi adquirida, para conseguir minar a concorrência.

O outro lado

A quantidade (e qualidade) de produtos de sucesso que são originalmente europeus é impressionante: Python e Blender (Holanda), KDE e OpenOffice (Alemanha), VLC (França), Linux (Finlândia), MySQL (Suécia), … E a base instalada de usuários é também mais ampla que em outros continentes, o que me leva a questão: “será que um dia veremos algo similar por aqui?”

A vida imita a arte

Enquanto isso, a indústria americana, para sobreviver a falta de novidades, emula o comportamento dos grandes estúdios de Hollywood, que refilmam filmes estrangeiros (que aprenderam muito com a mesma Hollywood), para uma plateia que não sabe (e nem quer saber) que existem outras culturas no mundo.

Não é coincidência que o Windows 7 tem vários recursos novos parecidos com o KDE e nem é a toa que os melhores autores de quadrinhos são britânicos…

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3 respostas para Europa, a terra do Open Source

  1. Por outro lado, tem o Firefox, Gimp, GNOME, Audacity, BitTorrent, SQLite…
    O mais estranho é que da mesma forma que ocorre com a produção industrial, na base temos uma prevalência americana: Ogg/Vorbis, GTK, VTK, numpy, matplotlib, entre outros.
    Boa parte do software base vira padrão em vez de software livre. É o caso do TCP/IP, JPEG, HTML, SVG, para citar alguns. Nesses casos, o “software” nem nacionalidade bem definida tem. E ainda bem que é assim!

    • Muitos desses projetos caem nos mesmos problemas: o GIMP tem poucos desenvolvedores (pois não tem apoio de nenhuma grande corporação), várias iniciativas ligadas ao GNOME correm risco depois da aquisição da Sun pela Oracle, … Aqueles que são acadêmicos estão em melhor situação, ainda bem.
      O mais importante é ter usuários (eu sei que é obvio, mas vale a pena lembrar), e aí a balança inclina mais forte, inclusive para projetos famosos como o Firefox, que são mais aceitos no velho continente. É interessante ter em mente que geralmente usuários (que não são da área) não se importam com software de infraestrutura – o que vale mesmo são os aplicativos.

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