Livro de Ruby do Why em português

Descobri casualmente que o livro Why’s (Poignant) Guide to Ruby, escrito por Why The Lucky Stiff (uma verdadeira lenda na comunidade Ruby), foi traduzido para o português:

O material original é único: o autor mistura programação com história em quadrinhos non sense com personagens estranhos. Serviu de inspiração para a criação do Python para Desenvolvedores, embora seja muito diferente dele.

Why “desapareceu” em 2009, e vários de seus projetos foram abraçados por outros membros da comunidade Ruby, porém (parece que) o livro não recebeu atualizações, embora continue sendo uma grande referência.

Cycles: GPU para as massas

Um dos pontos críticos na Computação Gráfica é a renderização. Para 3D, é uma fase extremamente complexa, em que é calculada a iluminação da cena. Para lidar com essa complexidade, os renderizadores modernos tem incorporado recursos como execução em rede e o uso de GPU (Graphics Processing Unit), processadores conhecidos por serem usados em placas de vídeo para prover aceleração por hardware de rotinas gráficas.

Existem hoje vários renderizadores Open Source (YafarayLuxRender, Mitsuba, … ), com características diferentes. Além desses projetos, que são especializados exclusivamente a renderização, há também o renderizador interno do Blender, que é prático porque é perfeitamente integrado ao Blender, suportando todos os recursos do software, porém ele não possui vários recursos dos renderizadores mais recentes, como Iluminação Global.

Percebendo isso, a Blender Foundation está desenvolvendo um novo renderizador, chamado Cycles, que será o sucessor do interno atual. O desenvolvedor a frente do projeto (Brecht van Lommel) escreveu um artigo muito promissor, com um vídeo de demonstração. O vídeo mostra o viewport com a imagem renderizada sendo atualizada quase imediatamente enquanto a cena é modificada, o que é impressionante (para dizer o mínimo).

Já existem builds de teste para as plataformas mais populares (Windows, Mac OS e Ubuntu) no graphicall.org, e várias pessoas fizeram outros vídeos demonstrando com mais detalhes os recursos do Cycles, como este:

Sintel Lite, personagem simplificado para Blender

A personagem principal do open movie Sintel ganhou uma versão lite, bem mais simples de usar e estudar:

Também é interessante assistir a tour em vídeo:

E acompanhar os experimentos de Aligorith com ela ^^

O atirador de Realengo e a manipulação política

Sempre evitei escrever sobre política, mas me revoltou a forma como a tragédia que ocorreu na escola em Realengo foi espoliada na mídia pelas duas facções políticas dominantes no país.

Amnésia e encenação

A política brasileira é, por mais estranho que pareça, muito apolítica, com políticos que mudam de partido e de opinião a vontade conforme recebem para isso, sem se preocupar com coerência com o que disseram ou fizeram antes (a falta de memória do Brasil ajuda muito nisso). E a maioria dos partidos é muita parecida, chegando ao ponto de termos vários que se dizem social-democratas.

Hienas e abutres

Logo no dia do massacre, a mídia noticiou vários detalhes, que depois se mostraram falsos, nitidamente com o objetivo de manipular a opinião pública contra determinados alvos. Primeiro, disseram que o atirador era muçulmano, depois passaram a apresentar conclusões prontas sobre o perfil do atirador (imagino dificuldade deve ser entrevistar um morto para poder compor o quadro), que ele teria feito o que fez porque teria sido vítima de bullying e que a culpa era da sociedade opressora, que tinha que mudar. O difícil é explicar como isso só ocorreu uma vez. E ainda foi dito várias vezes que a escola deveria ser fechada, sem informar quem tinha dito isso.

Nos dias que se seguiram, vendo que a tática não estava funcionando, o discurso foi mudando para uma forma mais branda, admitindo que o criminoso tinha um transtorno psíquico, mas que o bullying pode ter contribuído para agravar o quadro.

Tentar transformar vítima um monstro desses mostra que as pessoas já perderam totalmente a noção do razoável, no desespero de tentar encontrar formas de atacar a outra facção.

Ver o mesmo discurso e os mesmos truques baratos para persuadir a população nos porta-vozes dos dois grupos, a Globo e o Conversa Afiada, é sinal que algo está muito errado. Se você quer ser melhor do que o adversário, então você tem que pelo menos diferente dele em alguma coisa e não praticar os mesmos deslizes, como se aproveitar da desgraça alheia, certo?

Pedofobia e misoginia

Outro ponto é que certas informações (reais e importantes) foram passadas de forma displicente, porque não corroboram as idéias que a mídia queria vender. Para mim, é óbvio que o alvo do matador eram as meninas, pela diferença na quantidade de vítimas. As conclusões (e possíveis implicações) cabe as pessoas  interessadas deduzirem. Eu já tirei as minhas.

Concurso para a nova Splash Screen do Blender

Splash Screen é aquela imagem que aparece quando o software está carregando. Nas versões recentes, o Blender usou imagens excelentes do Sintel Open Movie, mas para a próxima foi organizado um concurso (com juri, sem votação popular). O concurso pode ser acompanhado nesta discussão no BlenderArtists.org. É possível concorrer com quantos itens quiser, desde seguindo as regras

Resolvi concorrer com as notórias engrenagens habituais (link para o original na imagem):

Robots quase tão habituais quanto:

Uma fábrica:

E mais um robot habitual em close:

E mais engrenagens:

O mais chato foi ter aturar o sistema anti-spam do site, para poder postar imagens, é regra demais… Algumas splashes são excelentes, incluindo umas que eu gostei mais do que das minhas :)

Atualização 1: as inscrições acabaram dia 27 de Março. E parece que só sai o resultado quando sair a versão final…

Atualização 2: trocaram a splash no primeiro commit da versão estável, a escolhida pode ser vista aqui.

Que confusão é essa no BrOffice?

É o que eu me pergunto, com a profusão de notícias confusas que tem aparecido nas últimas semanas.

Resumindo um pouco, a confusão começou (para o público em geral) com a publicação de uma carta aberta de Claudio Filho. A partir daí, surgiram outros artigos demonstrando a insatisfação de membros da comunidade com a ONG BrOffice.

Aí começam os problemas:

  • O que a ONG está fazendo ali?
  • O que a ONG estava fazendo que iniciou essa confusão?
  • Como se livrar dela agora?
  • Por que usar o nome BrOffice se agora o software se chama LibreOffice?

Muitas dessas perguntas serão respondidas com o tempo, mas é inevitável construir algumas teorias da conspiração. A minha é que, a medida que o software se tornou mais conhecido no Brasil, começou a entrar mais dinheiro e a popular lei de Gerson falou mais alto.

Por questão de princípios, isso não deveria ocorrer envolvendo SL. Algumas pessoas podem achar que, como a GPL não versa diretamente sobre a questão monetária, então não tem nada demais querer bancar o capitalista selvagem com SL. Quem pensa dessa forma não entendeu que no fundo as “quatro liberdades do software” definidas na GPL, são na verdade do usuário. O ensinamento que fica subentendido da GPL é “trate o usuário com ética”. Tal ética se traduz em valores como transparência, que é muito maior do que a apresentada pelo software proprietário.

Um ponto que me chamou a atenção é que a direção da ONG não parece interessada em buscar um entendimento, ou pelo menos, esclarecimento em relação a suas atitudes em relação a comunidade. Mal sinal.

Torço para que a comunidade LibreOffice brasileira saia do impasse em questão e volte a concentrar em suas atividades (como a revista) nas quais eles tem sido um exemplo para o Software Livre no Brasil.

Links: