PyInstaller – Criando Executáveis Facilmente

Fiquei impressonado com a tranquilidade que foi criar um executável utilizando o programa PyInstaller , depois de ter tido algumas dificuldades com o py2exe. O meu projeto utiliza as bibliotecas PyQt4 e Matplotlib 1.0.0, e as duas deram problema como py2exe. Consegui contornar os problemas com a PyQt4, mas os da Matplotlib se mostraram mais difíceis de resolver.

Com o PyInstaller, tudo funcionou usando as opções default:

python Makespec.py –onefile projeto.py

python Build.py projeto.spec

A instalação do PyInstaller também foi muito simples, basta descompactar a página e rodar o configure.py.

Destruindo o Software Livre

Quando o Richard Stallman escreveu o texto “The Java Trap“, apesar de ter concordado com o texto em geral, não consegui entender o que ele quis dizer quando escreveu as duas frases:

But the major source of this problem today is Java, because people who write free software often feel Java is sexy. Blinded by their attraction to the language, they overlook the issue of dependencies and fall into the Java Trap.

Isso me soou como uma perversão. Os desenvolvedores de software livre frequentemente acham que Java é sexy? Sentem atração pela linguagem a ponto de ficarem cegos? Desenvolvedores são estranhos, mas assim?

Hoje entendo que tal frase tem fundamento apoiado em neurociência. Quando ele escreveu isso, muita gente sentia isso sim, pois a promessa de emprego e dinheiro ativou o centro de recompensa no cérebro delas. Não importa mais o quão travada é a tecnologia, o que importa é a ilusão de carreira que ela pode proporcionar.

Todo mundo tem o direito de perseguir seus sonhos e desejar progredir. O problema é quando a idéia dessa busca por dinheiro se torna justificativa para tudo e o julgamento de valor das pessoas se torna absurdo. Coisa de gente que acredita em concorrência por mercado da seguinte forma:

Desenvolver software livre em cima de plataforma minada por patentes/software proprietário/lobo em pele de cordeiro é totalmente normal. O lobo paga nosso salário e jurou que nunca vai atacar e mesmo se o fizer não vai ser usando a armadilha que criamos junto com ele.

Tudo bem se uma empresa de software livre que se vende por dinheiro para qualquer um e acaba nas mãos do grande concorrente proprietário. E o que acontece com o software? Ora, é software livre, é só fazer um fork com outro nome – Joãozinho, Maria Chiquinha, não importa, tudo bem, sorria e acene. A equipe original, o suporte à versão antiga, o tempo para ajeitar tudo, isso é só um detalhe.

Ou melhor ainda, continuamos  usando o software livre agora feito pela empresa que produz o produto proprietário rival. Tudo vai ficar bem, ela vai ser boazinha. E ainda vai poder injetar mais dinheiro no projeto…

Qual o problema se o “demônio” em pessoa resolveu patrocinar um popular evento de software livre? O fato dos organizadores terem se vendido por dinheiro? Ah tudo bem. O “capeta” vai ser o keynote? Nada demais. Vai lá e faz pergunta pra ele, ele vai ficar vermelho de vergonha!  Aproveita e olha com carinho as oportunidades de negócio que os lobistas dele vão estar apresentando no salão principal, quem sabe você também não consegue ganhar alguma coisa. Ora, afinal de contas, ele transformou um evento legal em um inferno, justamente para você não ir. Vai lá mesmo assim que ele vai odiar… E quando você vai sair de lá… opa!

É constrangedor ver esse comportamento cego em gente boa de verdade  nas comunidades de software livre do mundo inteiro, mas ele virou o normal. Isso vai acabar com o software livre? Não. Mas vai criar problemas, deter muitos avanços e impedir o uso de software livre em muitos lugares. O software livre que vier depois disso, no entanto, vai ser melhor e mais forte, porque então as pessoas vão compreender que certos comportamentos tidos como normais e aceitáveis na verdade não  são.