A Nokia anunciou seu pacto com o demôn…, quer dizer, com a Microsoft, o que é (mais uma) facada do mundo corporativo no Software Livre. O pacto faz com que a Nokia abandone seus sistemas operacionais e as ferramentas de desenvolvimento, o que inclui o conhecido toolkit Qt, desenvolvido pela TrollTech, que foi adquirida pela Nokia a algum tempo atrás.
A Qt é usada por vários projetos (o mais relevante é provavelmente o KDE) e já causou muitas polêmicas no passado por questões de licenciamento.
O pacto em questão não é realmente uma ameaça – o Software Livre não precisa de corporações para existir (se precisasse, já teria morrido logo no inicio). É sempre possível fazer um fork da última versão e seguir outro caminho sem olhar para trás, como fez o LibreOffice, que é um fork que salva o OpenOffice das garras sinistras da Oracle. Já na primeira versão, a diferença no tempo de carga é impressionante.
Porém, essa é mais uma história que mostra que, ao contrário daqueles que pensam que é importante ter uma empresa grande bancando tudo (e eventualmente instaurando a burocracia habitual), o Software Livre não deve ficar atado a corporações, pois estas mudam de direcionamento, são compradas, vendidas e/ou fecham.
Em relação ao pacto em si, vejo uma grande falha estratégica: a Nokia perdeu um diferencial importante, e em troca recebeu um sistema que segue a filosofia oposta a deles.