Cloverfield – Quase Bom.

Foi engraçado ver o Cloverfield. Quando o filme terminou dava para ver e ouvir as muitas reclamações do público, que detestou o filme. Burburinho tão exagerado que eu não via desde “Sinais”. Aparentemente, a grande maioria não gostou do filme por sua falta de explicações aprofundando a história e por sua narrativa em forma de “câmera”, semelhante ao “Bruxa de Blair”.

Eu não gostei do filme, mas não foi por nenhum desses motivos. O filme começou prometendo, se arriscando na narrativa e abusando da câmera em movimento – todo o filme é feito para parecer ter sido filmado a partir de uma câmera ligada sendo carregada pelos protagonistas. E a gravação é mostrada como um dos arquivos do exército dos EUA, dando a entender que se trata de mais uma de várias outras.

Resolveram abusar um pouco nisso e esse é o primeiro problema do filme, algumas pessoas chegam a enjoar e outras como eu simplesmente ficam de saco cheio com tanta embromação. O formato de cinema é totalmente inadequado para o efeito pretendido, afinal de contas, se fosse realmente uma gravação eu por vezes usaria o fast forward e a perguntas cretinas tipo “quanto é que pesa essa câmera Full HD que eles estão carregando?”, “Além de tantos recursos, ela é blindada também?” começam a surgir em minha mente estragando todo o clima. Eu sei, isso é ser chato, mas francamente, foi o filme que começou primeiro com isso.

Depois a história se desenrola com Nova York sendo destruída de forma dramática, muito bem feita, realmente capturando em ficção parte do clima de terror que a cidade já viveu na vida real. Mas o bom do filme realmente pára por ai. Ele acaba cedo, sem deixar maiores explicações, o que no fundo eu até acho muito bom. Mas acaba me despertando algumas dúvidas, ou críticas? Por exemplo:

Tanta coragem para filmar em perspectiva de uma câmera sendo carregada, com direito momentos mostrando o chão não seria muito mais aproveitada em um filme com menos drama, com mais ação e mostrando mais gravações, i.e., uma história ainda mais fragmentada (ok, e talvez menos comercial ainda)?

Ver que aquela legenda logo no início “Arquivo tal da área tal, antigo Central Park” foi só uma brecha para continuações, desvalorizou o filme.

Como efeito colateral da forma como o filme é filmado, temos um filme em pseudo tempo real. Eu acho que um efeito legal seria fazer isso por meio de fast forwards ou marcas de edição, mas o filme é meio radical nisso. Até que chega a momentos onde a coragem acaba – por exemplo, ele não tem a coragem de mostrar os carinhas subindo 39 andares e mete um corte, graças a Deus, mas inevitavelmente isso me faz surgir a pergunta: “Se o diretor aceitou fazer isso então aquele tempo filmando o chão foi só para me encher o saco?”.

Essa coragem freiada, quase coragem, faz o filme ser quase bom, quase valer a pena de assitir. No futuro ele pode gerar uma seqüência melhor. Ou talvez nos extras do DVD… Estranhamente, com menos orçamento talvez seja mais fácil fazer um filme inteiro.

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