Grandes Embustes: Guerra

Pode ser difícil, e até mesmo parecer de certo modo leviano, encarar as guerras, causadoras de tanta perda e sofrimento, como nada mais que um embuste. No entanto, é inegável que o avanço tecnológico transformou o conceito de guerra atual em algo completamente diferente do que sempre foi na maior parte da história (e pré-história) humana.

Hoje em dia, as guerras são feitas na maioria das vezes por países que “escolhem” usar armas com potencial destrutivo cinco ordens de grandeza menor (100.000 vezes) que as melhores armas que possuem, i.e., as armas nucleares. Essa “escolha” é, claro, relativa, pois é óbvio que uma guerra atômica de verdade com ambos os lados usando armas atômicas não deixaria sobreviventes.

Por outro lado, é a partir dai que é montada toda uma lógica retorcida – ou em outras palavras embuste – para justificar absurdos gastos militares. Esses gastos incluem a corrida armamentista da Guerra Fria e as numerosas guerras convencionais em todo mundo.

Vamos analisar esses gastos.

1 – A Guerra Fria, diante da impossibilidade de usar esse tipo de arma sem aniquilar a raça humana e a corrida armamentista.

Eu consigo entender a natureza da corrida armamentista pela bomba atômica que antecedeu a Guerra Fria, apesar de lamentar. A necessidade do uso de fato realizado dessas armas, por outro lado, sempre será motivo de polêmica. É possível pelo menos entender os argumentos para o upgrade tecnológico e científico da bomba atômica para nuclear.

O difícil é entender, entretanto, como, a partir daí, com a aceitação da idéia que a guerra tornou-se inviável, sinônimo de suicídio, não passamos naturalmente para uma lógica de soluções meramente consensuais (como de fato se deu, visto que as nações com tais armas jamais se enfrentaram) e sim para uma “tensão” que durou (ou dura) mais de 50 anos.

Mais esquisito ainda é ver um cenário de corrida armamentista pelas armas não podem ser realmente usadas, consumindo por meio século a maior parte dos recursos econômicos do planeta! Quantas vezes um país precisa ter o potencial destrutivo suficiente para destruir toda humanidade para se sentir seguro? Tudo isso para garantir a inviabilidade de uma potencial guerra que já havia se mostrado inviável ao mundo meio século antes?

Mesmo que isso fosse um motivo real, eu ainda questionaria a continuidade do uso do termo guerra para tal situação – se o termo guerra pressupõe hostilidade, então para descrever todo um esquema orquestrado e acordado, que se chame de balé sangrento e irracional, de ópera da corrupção e loucura, qualquer coisa, menos guerra.

2 – As “pequenas” guerras convencionais que ocorrem diante da impossibilidade do uso de armas nucleares.

A idéia é que as nações não partem para um conflito nuclear porque um ato desses poderia ser considerado uma provocação e gerar uma retaliação na mesma medida, culminando em um confronto atômico suicida. Outros argumentos ainda mais absurdos incluem a preocupação com a opinião pública, com as vítimas civis (!).

A maioria dos conflitos que ocorreram e ocorrem no mundo depois do advento das armas nucleares se deu entre uma nação com posse das mesmas (EUA na maioria das vezes) e outra sem as mesmas. Sendo assim, o argumento do medo da retaliação não se justifica.

É possível argumentar, entretanto, que mesmo não havendo em um dos lados a posse de tais armas, esses países acabam virando peão de algum outro país com tais armas, o que poderia ser interpretado como provocação. Realmente, todos esses conflitos acabaram afetando interesses de nações com poder nuclear. Mas sendo esse o caso, por que não há uma preocupação de uma retaliação nuclear em represália a provocação “convencional”? Mesmo que toda essa estranha lógica seja válida, novamente questiono o uso do termo guerra. O termo pressupôe hostilidade e violência, se por outro lado existe um “acordo informal” de até onde cada lado pode bater, não seria melhor chamar de teatro sangrento mais caro do mundo?

Os pseudo argumentos de preocupação com a opinião pública e com as vítimas civis são os mais fracos de todos. Essa preocupação toda com a opinião pública não é equilibrada com a opinião pública também desfavorável a gastos públicos monstruosos? Ou com a possibilidade de perder desnecessariamente a Guerra? Que preocupação é essa com as vítimas civis, se no final o resultado é um conflito longo, caro e da mesma forma com milhares de mortos?

Lamentavelmente, é muito mais interessante a mantenção prolongada da Guerra, o aquecimento da economia com a venda de armas e serviços, o clima de tensão emburrecendo o povo na hoar de votar, a não resolução do problema e consequente não avaliação do que foi feito.

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